
Semana passada, no Twitter, eu afirmei que a partir dessa semana, eu começaria a falar alguns detalhes do meu casamento. Ontem, no mesmo Bat-canal de comunicação, no mesmo Bat-Twitter, eu fiz uma votação sobre que “parte” do casório eu falaria aqui hoje. Dei duas opções: a escolha da igreja ou a escolha da minha roupa. Após uma numerosa modesta – mas fina, elegante e sincera – votação, com placar final de 4 contra 1, o tema de hoje será a escolha do meu traje.
Já escrevi um post sobre os tipos de roupas para noivos, lá no Casando Sem Grana. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a história na prática muda um pouco. Pesquisando na internet só pra escrever um texto parece tudo muito fácil, mas quando você tem que decidir o que quer pra você, as dúvidas pipocam na cabeça. As únicas certezas que eu tinha é que queria uma roupa escura e que não rolaria um fraque. Eu não rejo uma orquestra, não sou fã do Pinguim do Batman e não me vejo com aquele rabo pendurado. Pode ser chique, elegante, mas eu não nasci pro fraque. Eu achava o modelo slim bacana, mas não acho que ficaria bem em mim. A noiva então sugeriu um meio-fraque, que também era a minha ideia. Era. Depois mudou. Mas antes de mudar, fiz uma busca na internet até achar o meio-fraque que eu gostaria de usar. Foto salva no celular pra levar no dia da escolha.
Marcamos um dia pra eu escolher a roupa e pros pajens e damas-de-honra experimentarem as deles. Cheguei mais cedo na loja porque sabia que quando meus primos chegassem, eu não teria muito sossego (digamos que eles são um tanto grudados em mim e eu neles). Por questões de praticidade, escolhemos um sábado. Mas caro cabron, não acho o sábado o melhor dia pra escolher traje de casamento porque muitas roupas já foram alugadas ou estão separadas pra serem retiradas. Mas era o dia possível e lá fomos nós, eu, minha noiva e meus pais.
O pequeno diálogo entre eu e a atendente segue abaixo. Obviamente, não tenho uma mega-memória, portanto, as falas abaixo não são exatamente o que rolou no dia, mas são bem próximas.
- Bom dia.
- Bom dia. Eu queria experimentar um meio-fraque.
- Ok, senhor, só um minuto que eu vou pegar.
Eu e minha noiva trocamos sorrisos. E lá veio a atendente:
- Aqui, senhor.
- Esse é o meio-fraque?
- É sim.
- Gabriela, eu não vou usar isso.
Vendedora com cara de cu.
- Por que, amor? – disse minha noiva
- Eu não vou casar com a calça de pijama do meu vô.
Minha noiva riu. A atendente também riu, mas aposto que em pensamento queria me matar me chamando de cafona.
- Senhor, mas meio-fraque é assim mesmo.
- Se ele é assim eu não sei, mas eu não gostei, não. Desculpe, mas achei bem feio esse meio-fraque.
A partir dessa fala, minha noiva gastou a saliva durante alguns minutos tentando me convencer a usar o meio-fraque. Nada contra quem curte usar um meio-fraque, mas eu não gostei. Pra tirar a dúvida, experimentei e não gostei.
- Você não tem uma roupa com calça escura? – indaguei à atendente
- Tenho fraque.
- NÃO! Fraque, NÃO!
- Ok, ok, senhor, vou trazer um terno.
Minha noiva ria de mim. Ela tava ali, me apoiando, me ajudando, mas achava graça das minhas neuras. Aí veio a atendente, com o terno. Achei que agora a escolha ia ser mais simples, mas ter que decidir a cor do colete e da gravata me levou a experimentar algumas opções. Dica boa: minha noiva tirou uma foto minha com cada roupa e isso facilitou pra cacete a minha escolha. Gostei da gravata, mas não do penduricalho brilhante dela. Pedi pra tirar e… pronto, escolhi a roupa!
Logo após a minha escolha entra outro noivo na loja e pede pra ver um meio-fraque também. Adivinhem? Ele também reclamou da calça. Nesse momento, estufei meu peito, levantei a cabeça, dei um sorriso de orgulho e pude até sentir o vento batendo no meu rosto: a estranheza masculina à calça venceu a cara de bunda mal lavada da atendente.
Aí chegaram os guris pra experimentarem a roupa dele. Eu e minha noiva tínhamos pensado em uma roupa um pouco menos formal pra eles, pra deixá-los mais à vontade. Só um colete ou um suspensório e gravata. Mas eis que chegam os figuraças:
- Oi primo!
- Fala molecada! Beleza?
- Beleza!
- Bora escolher as roupas de vocês?
- Sim, sim, mas já temos uma ideia – disse o guri mais velho
- É, a gente já sabe como a gente quer – disse o menor
- Ah, é? E como vocês querem?
Confesso que perguntei já pensando em como convencê-los que um suspensório e uma gravata eram mais bacanas que o uniforme do Ben 10 ou dos Power Rangers.
- A gente quer uma roupa igual a sua!
- Igual a minha? Um terno?
- É, um terno!
- Mas por que?
- É que se nós três usarmos ternos, vamos formar o MIB, Homens de Preto!
Preciso falar que eles me desarmaram? Que eu gargalhei? Que eu cedi à vontade dos moleques? Não, né? Ah, lembram do penduricalho brilhante que eu quis tirar? Os garotos se amarraram e disseram que era o Diamante do Ben 10. Beleza, eles ficam com o Diamante, mas eu sem. Não sou obrigado.
Então é isso, no início de outubro, “MIB 3 – A missão casamento” num blog bem perto de você.















